{"id":4048,"date":"2026-02-09T06:07:51","date_gmt":"2026-02-09T09:07:51","guid":{"rendered":"https:\/\/jornaldoservidor.com.br\/?p=4048"},"modified":"2026-02-09T06:07:51","modified_gmt":"2026-02-09T09:07:51","slug":"pagamento-de-juros-da-divida-publica-passou-de-r-1-trilhao","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldiarioeconomico.com.br\/?p=4048","title":{"rendered":"Pagamento de juros da d\u00edvida p\u00fablica passou de R$ 1 trilh\u00e3o"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 2025, o governo brasileiro desembolsou pela primeira vez na hist\u00f3ria R$ 1,5 trilh\u00e3o em juros da d\u00edvida p\u00fablica, um valor que corresponde a cerca de 8% a 9% do Produto Interno Bruto (PIB).<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Segundo dados do Tesouro Nacional e do Banco Central, o gasto com juros variou entre 7,9% e 8,9% do PIB, dependendo da metodologia utilizada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O impacto foi direto sobre o endividamento bruto, que encerrou o ano em 78,7% do PIB.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Entre os fatores que explicam o salto est\u00e3o:<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; Taxa Selic elevada, mantida em torno de 15% durante boa parte do per\u00edodo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; D\u00e9ficit prim\u00e1rio persistente, que ampliou a necessidade de financiamento.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8211; Crescimento cont\u00ednuo da d\u00edvida e maior demanda por rolagem de t\u00edtulos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Compara\u00e7\u00e3o internacional<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O peso dos juros no Brasil \u00e9 um dos maiores do mundo. Enquanto os Estados Unidos gastaram cerca de 2% do PIB em juros em 2025, a It\u00e1lia registrou 4% e o Jap\u00e3o apenas 1%, apesar de sua d\u00edvida colossal. O contraste evidencia o custo alto do endividamento brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Especialistas alertam para uma armadilha: com juros t\u00e3o elevados, o governo precisa emitir mais d\u00edvida apenas para pagar credores, alimentando um ciclo dif\u00edcil de romper. Al\u00e9m disso, o espa\u00e7o para investimentos em \u00e1reas como sa\u00fade, educa\u00e7\u00e3o e infraestrutura fica cada vez mais restrito. A depend\u00eancia da pol\u00edtica monet\u00e1ria \u00e9 outro ponto cr\u00edtico \u2014 qualquer ajuste na Selic tem efeito imediato sobre as contas p\u00fablicas. Procurados, o Minist\u00e9rio da Fazenda e o Banco Central n\u00e3o se manifestaram.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Estoque total da d\u00edvida<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O estoque da D\u00edvida P\u00fablica Federal encerrou 2025 em R$ 8,635 trilh\u00f5es, dentro dos limites estabelecidos (entre R$ 8,5 trilh\u00f5es e R$ 8,8 trilh\u00f5es para o ano), conforme fixado na revis\u00e3o do Plano Anual de Financiamento, em setembro do ano passado. O valor representa aumento, em termos nominais, de 1,82% sobre o estoque registrado ao final de novembro (R$ 8,480 trilh\u00f5es), e de 18% sobre o estoque do final de 2024 (7,316 trilh\u00f5es). A D\u00edvida P\u00fablica Mobili\u00e1ria Federal interna (DPMFi) encerrou 2025 em R$ 8,309 trilh\u00f5es, ante R$ 8,165 trilh\u00f5es, em novembro passado, e R$ 6,966 trilh\u00f5es, ao t\u00e9rmino de 2024, conforme informa\u00e7\u00f5es do Tesouro Nacional, em entrevista na qual foram apresentados o Plano Anual de Financiamento (PAF) de 2026 e o Relat\u00f3rio Anual da D\u00edvida (RAD) de 2025.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Os indicadores ficaram dentro dos limites, ap\u00f3s a revis\u00e3o do PAF, fomentada pela boa demanda do mercado&#8221;, apontou Ceron. Ele destacou o equil\u00edbrio da distribui\u00e7\u00e3o da d\u00edvida por indexadores, todos dentro das bandas planejadas: prefixados (22%), \u00edndice de pre\u00e7os (25,9%), flutuantes (48,3%) e c\u00e2mbio (3,8%). Foi um ano em que o nosso grande desafio era manter ou reduzir pouco a composi\u00e7\u00e3o de prefixados e n\u00e3o deixar que taxa flutuante aumentasse demais. Essa foi a grande conquista que tivemos&#8221;, explicou o secret\u00e1rio do Tesouro, Rog\u00e9rio Ceron.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;No ano passado conseguimos ter uma gest\u00e3o mais equilibrada na emiss\u00e3o dos indexadores da d\u00edvida; com um bom balan\u00e7o em todas as op\u00e7\u00f5es que foram postas&#8221;, disse o subsecret\u00e1rio da D\u00edvida P\u00fablica, Daniel Cardoso Leal, ao ressaltar que foi suprida de forma eficiente a miss\u00e3o de atender as necessidades de financiamento do governo sob a melhor equa\u00e7\u00e3o entre custo e risco.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"><strong>Proje\u00e7\u00f5es para 2026<\/strong><\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O PAF 2026 estabelece limites para a evolu\u00e7\u00e3o da D\u00edvida P\u00fablica de 2026: entre o m\u00ednimo de R$ 9,7 trilh\u00f5es e o m\u00e1ximo de R$ 10,3 trilh\u00f5es, considerando o estoque no final do ano. Para este novo exerc\u00edcio, o Tesouro aponta a possibilidade de aumento da participa\u00e7\u00e3o dos t\u00edtulos prefixados; expectativa de estabilidade na composi\u00e7\u00e3o de t\u00edtulos com juros flutuantes; al\u00e9m de estrutura de vencimentos com baixa participa\u00e7\u00e3o de d\u00edvida no curto prazo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O plano projeta uma necessidade l\u00edquida de financiamento de R$ 1,677 trilh\u00e3o para 2026. Esse valor decorre, segundo o Tesouro, dos vencimentos da d\u00edvida interna, que totalizam R$ 1,538 trilh\u00e3o \u2014 a parcela mais significativa da DPF. A esse montante somam-se os vencimentos da d\u00edvida externa em poder do mercado e os juros da carteira do Banco Central, que, por determina\u00e7\u00e3o legal, n\u00e3o podem ser refinanciados.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Em 2025, o governo brasileiro desembolsou pela primeira vez na hist\u00f3ria R$ 1,5 trilh\u00e3o em juros da d\u00edvida p\u00fablica, um valor que corresponde a cerca de 8% a 9% do Produto Interno Bruto (PIB). 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