{"id":3569,"date":"2026-01-12T08:22:57","date_gmt":"2026-01-12T11:22:57","guid":{"rendered":"https:\/\/jornaldoservidor.com.br\/?p=3569"},"modified":"2026-01-12T08:22:57","modified_gmt":"2026-01-12T11:22:57","slug":"mulheres-levam-mais-tempo-para-retornar-ao-mercado","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/jornaldiarioeconomico.com.br\/?p=3569","title":{"rendered":"Mulheres levam mais tempo para retornar ao mercado"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"wp-block-paragraph\">As pausas na carreira costumam ser tratadas como decis\u00f5es individuais ou interrup\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias. Dados recentes, no entanto, indicam que esse fen\u00f4meno reflete desigualdades estruturais mais profundas no mercado de trabalho brasileiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora homens e mulheres interrompam suas trajet\u00f3rias por motivos distintos, as consequ\u00eancias dessas pausas n\u00e3o s\u00e3o equivalentes, especialmente quando se observa o tempo necess\u00e1rio para o retorno ao trabalho.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Importante destacar que cada pausa na carreira da mulher significa menos contribui\u00e7\u00e3o previdenci\u00e1ria &#8211; a n\u00e3o ser que ela recolha individualmente, o que culturalmente n\u00e3o ocorre &#8211; e, por consequ\u00eancia, a aposentadoria fica mais distante.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Pesquisa aponta disparidade<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Uma pesquisa realizada em 2025 pela Be Back Now, em parceria com a NOZ Intelig\u00eancia, analisou as principais motiva\u00e7\u00f5es para a pausa na carreira entre profissionais brasileiros. Os resultados mostram que, entre as mulheres, a maternidade e outras responsabilidades de cuidado s\u00e3o os fatores predominantes. Entre os homens, a interrup\u00e7\u00e3o est\u00e1 mais frequentemente associada ao desemprego e \u00e0 dificuldade de recoloca\u00e7\u00e3o no mercado.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">P\u00f3s-pausa, o que ocorre<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">No entanto, a principal desigualdade no mercado de trabalho n\u00e3o est\u00e1 apenas nos motivos da pausa, mas no que acontece depois dela.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">De acordo com o estudo, 28,8% das mulheres apontaram a maternidade como a principal raz\u00e3o para pausar a carreira. Quest\u00f5es relacionadas \u00e0 sa\u00fade mental e ao cuidado com familiares tamb\u00e9m aparecem com maior frequ\u00eancia entre elas. J\u00e1 entre os homens, 32,8% indicaram o desemprego como principal fator de interrup\u00e7\u00e3o, seguido pela tentativa de empreender.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Distribui\u00e7\u00e3o desigual<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">&#8220;Essas diferen\u00e7as (no mercado de trabalho entre homens e mulheres) refletem a distribui\u00e7\u00e3o desigual do trabalho de cuidado no Brasil, historicamente concentrado nas mulheres. Dados externos ajudam a dimensionar o impacto dessa realidade no retorno ao mercado de trabalho&#8221;, destaca Tet\u00ea Baggio, CEO e fundadora da Be Back Now.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">5 vezes mais<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Levantamento do Movimento Mulher 360 mostra que mulheres s\u00e3o cinco vezes mais propensas do que homens a deixar o mercado de trabalho ap\u00f3s a chegada dos filhos. Al\u00e9m disso, uma parcela relevante permanece fora do emprego formal por tr\u00eas anos ou mais, o que menos comum entre homens.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Estrutural<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Quanto maior o tempo de afastamento, maiores tendem a ser as barreiras para o retorno. A perda de v\u00ednculos profissionais, a defasagem percebida de compet\u00eancias e o estigma associado a trajet\u00f3rias n\u00e3o lineares reduzem as chances de reinser\u00e7\u00e3o, especialmente para mulheres que pausaram a carreira por motivos de cuidado.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Exclus\u00e3o<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Esse fen\u00f4meno contribui para um quadro mais amplo de exclus\u00e3o econ\u00f4mica. Dados do IBGE indicam que mais de 11 milh\u00f5es de mulheres est\u00e3o fora da for\u00e7a de trabalho no Brasil devido a responsabilidades dom\u00e9sticas e familiares. Esse contingente representa uma redu\u00e7\u00e3o significativa do potencial produtivo do pa\u00eds.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Dificuldades<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Embora homens que pausam a carreira por desemprego tamb\u00e9m enfrentem dificuldades de retorno, a evid\u00eancia dispon\u00edvel sugere que eles tendem a se recolocar em menos tempo e com menor penalidade de longo prazo. A desigualdade, portanto, n\u00e3o est\u00e1 na pausa em si, mas na forma como o mercado absorve diferentes tipos de interrup\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Fora do mercado<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">A perman\u00eancia prolongada fora do mercado de trabalho afeta rendimentos ao longo da vida, contribui\u00e7\u00f5es e o acesso a cargos de lideran\u00e7a, aprofundando desigualdades de g\u00eanero no m\u00e9dio e longo prazo. Esse efeito acumulado conecta a pausa na carreira a debates mais amplos sobre participa\u00e7\u00e3o, poder e representa\u00e7\u00e3o.<\/p>\n\n\n\n<h1 class=\"wp-block-heading\">Quest\u00e3o sist\u00eamica<\/h1>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Os dados indicam que as pausas na carreira n\u00e3o devem ser analisadas apenas como escolhas individuais, mas como momentos em que desigualdades estruturais se tornam vis\u00edveis. Homens e mulheres pausam por raz\u00f5es diferentes, mas o mercado reage de forma Desigual, sobretudo quando o cuidado est\u00e1 envolvido.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As pausas na carreira costumam ser tratadas como decis\u00f5es individuais ou interrup\u00e7\u00f5es tempor\u00e1rias. Dados recentes, no entanto, indicam que esse fen\u00f4meno reflete desigualdades estruturais mais profundas no mercado de trabalho brasileiro. 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